Explorando a economia criativa em Hamburgo | Verlindo

Explorando a economia criativa em Hamburgo

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O vigor e a força da economia criativa da segunda maior cidade da Alemanha

*por: Manoella Barbosa

Hoje tem post sobre a Alemanha! Talvez alguns ainda não saibam, mas a Verlindo tem uma conexão especial com o país. Mit Deutschland? Aber klar!

Além de dois integrantes da Verlindo (Jorge e Halian) darem duro tentando aprender a língua de Goethe (Jawohl!), a agência nutre parcerias frutíferas e edificantes com instituições alemãs em Brasília.

Exemplo relevante nas aventuras teutônicas da Verlindo é a colaboração com o Goethe-Zentrum Brasília. A agência redefiniu, em 2016, o portal institucional do instituto cultural. Em 2018 e 2019 a parceria prosseguiu, em forma de um projeto de branding, consultoria de comunicação e estratégia de conteúdo que culminou no evento “Alemão abre portas“.

Mas voltemos ao ano de 2016. Neste ano, a Verlindo concebeu o evento “Semana da Língua Alemã“, um projeto comum de três clientes de peso: as embaixadas da Alemanha, Suíça e Áustria no Brasil. No mesmo ano, a agência respondeu também pelo branding, estratégia de conteúdo e presença digital da plataforma “Alemanha nos Jogos“ para a embaixada da Alemanha.

Foi nessa ocasião em que conheci o pessoal da Verlindo, como gestora do projeto, com duração total de seis meses, na embaixada. Vivendo em Hamburgo desde 2004, onde cursei meu mestrado em Jornalismo e Ciências da Comunicação, retornei ao Brasil somente para gerir a empreitada, mas com a passagem de volta marcada .

Afinal, seja pelas tardes de verão no Stadtpark, pela Feierabendbier, a cervejinha depois do trabalho, no bairro de Schanzenviertel, ou pela programação de filmes arthouse do Passage Kino, um cinema construído em 1912: Para mim, Hamburgo é simplesmente cativante!

Assumo ser uma Wahlhamburgerin, uma hamburguesa de escolha, com muito gosto. Daí o meu grande contentamento ao ser convidada pela Verlindo para contar, em uma série de postagens para este blog, sobre o vigor e a força da economia criativa da cidade portuária e segunda maior da Alemanha.

Cidade de vanguarda

A Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo, seu nome oficial, pode não ser “arm, aber sexy” (pobre, mas sexy) como Berlim, mas é uma cidade de vanguarda e mostra-se celeiro ideal para empreendedores e criativos. Vou citar alguns dado históricos que sublinham o que falo:

O primeiro aeroporto da Alemanha? Em Hamburgo, em 1911.

Primeiro zoológico sem grades do mundo? O de Hamburgo, fundado em 1907 por Carl Hagenbeck.

O Hamburger Tierpark foi o primeiro zoo sem grades do mundo.

Posto de gasolina na Alemanha? Sim, o primeiro foi aberto em Hamburgo, em 1927, na Hudtwalckerstraße (fun fact: antes disso, abastecia-se nas farmácias (!)).

O primeiro supermercado da Alemanha nos modelos dos supermercados norte-americanos também abriu suas portas pela primeira vez em Hamburgo, em 1949.

Primeiro bairro de escritórios da Europa? Bingo! O Kontorhaus, em Hamburgo, construído entre 1920 e 1940.

Maior complexo de armazéns do mundo? O Speicherstadt, em Hamburgo, armazéns erguidos sobre estacas de carvalho e com uma rede de interligação de ruas, canais e pontes, construído entre 1883 e 1927, e hoje patrimônio cultural da humanidade.

Ah, e sabem aqueles meninos de Liverpool, que, reza a lenda, trata-se da maior banda mais de todos os tempos? Iniciaram sua carreira internacional no Indra, um clube no bairro da luz vermelha de….Hamburgo. John Lennon teria até mesmo dito: “Eu posso ter nascido em Liverpool, mas me tornei um adulto em Hamburgo”.

Economia criativa pulsante

Depois dessa introdução, vale a pena espiar o que a cidade tem a oferecer, não é? A ideia é olhar de forma mais atenta, entre outros sob o espectro do branding, como marcas locais emergem no cotidiano da cidade de cerca de 1,8 milhão de habitantes. Para isso, pretendo jogar luz sobre o trabalho de agentes culturais locais importantes em uma cidade de vida cultural independente pulsante e muito ativa.

O intuito é conseguir apontar alguns caminhos àquelas marcas brasileiras que também se interessem em explorar atividades econômicas pautadas pela criatividade de forma eficiente e impactante ou até mesmo que já tenham paquerado ou já estejam de namoro sério com alternativas de negócio na economia criativa.

O Projeto Viva con Agua foi criado por jogadores do clube F.C. Sankt Pauli.

Tentarei ser abrangente e apresentar diferentes projetos, desde iniciativas como o projeto “Viva con Agua“ – fundado por jogadores do clube de futebol do descolado bairro Sankt Pauli (onde fica o Indra, o clube onde os Beatles tocaram pela primeira vez fora da Inglaterra…) – quanto pequenos projetos, como a feirinha da Isestraße (Rua Ise, no bairro nobre de Eppendorf). Conhecido como Isemarkt, a feira acontece, desde 1949, debaixo de um viaduto de metrô, duas vezes por semana, e é considerado o mercado a céu aberto mais longo da Europa. Eu, apesar de grande fã e frequentadora assídua do Isermarkt, sinto falta mesmo é do pastel e do caldo de cana.

Leon e Max vendem café do bom na feirinha do Isemarkt.

Mas de volta para o assunto desse post. Não haveria como falar de economia criativa em Hamburgo sem falar dos muitos off-spaces (em alemão, Off-Räume) presentes por aqui.

Em sua maioria construções decadentes do século 19, originalmente utilizadas como quartéis, fábricas ou pátios destinados à estocagem de carga e contêineres, os Off-Räume de Hamburgo acolhem nos dias atuais galerias, casas de shows, espaços de coworking, editoras independentes, agências de comunicação, etc e são os melhores exemplos de como criatividade, comunidade e política cultural (bem-feita) conseguem dialogar bem em prol do desenvolvimento econômico e criativo da cidade. Os meus Off-Räume preferidos? Das Gängeviertel, Das Oberhafenquartier und das Frappant.

O Gängeviertel é um dos Off-spaces de Hamburgo.

Bom, em um primeiro momento, é isso. Espero ter aguçado a curiosidade de vocês. A partir de agora publicarei regularmente por aqui uma série de quatro posts em formato de entrevistas, tudo diretamente de Hamburgo. Bis bald!

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