SXSW II – Digestão | Verlindo

SXSW II – Digestão

SXSW II – Digestão

Jorge Verlindo
15.03.2019

Um evento para se recortar

Se você acompanhou o nosso último texto, percebeu que o SXSW é um evento multifacetado, cheio de nuances e realmente muito denso. Seria uma missão inglória tentar cobrir todo o evento, e seria um desserviço tentar pontuar todas as áreas que ele aborda, inclusive porque meu viés é fundamentalmente das comunicações e da Cultura.

Depois de um recorte mais amplo e mais filosófico, acho que vale a pena pegar um pedaço específico da conferência para falarmos em detalhe. Para nós aqui o que interessa principalmente é “muito bem, deu-se um evento de inovação, o que esperar dos próximos tempos?”

Antes de tudo, é importante observar: várias das coisas vistas aqui não vão cair de paraquedas no dia-a-dia de pequenos e médios empresários amanhã. Então pode-se ter alguma tranquilidade quanto à operação, a ideia não é gerar ansiedade de desempenho, mas sim ampliar os horizontes. E mesmo o que já está acontecendo [vide Big Data] não é algo também que, de hoje para amanhã, demandará uma mudança completa na sua operação. Essas transformações são orgânicas, requerem uma atenção profunda no seu público e, acima de tudo, planejamento.

O que marcas brasileiras podem aproveitar?

Casa do Snapchat – Ativação de Marca

O principal aqui é pensar que os EUA são origem de muitos dos modelos mentais que usamos hoje [funil de vendas, marketing digital, social media, etc.]. Esses modelos estão em constante transformação e periodicamente há um “nivelamento” do que está acontecendo. Isso se dá nos eventos, nas convenções, em artigos que as pessoas que são referências no meio publicam.

Mais fundamental mesmo é entender que o sucesso da sua empresa depende muito da experiência do cliente. Isso não quer dizer paparicá-lo, mas resolver suas demandas com eficácia, agilidade, personalidade, com o objetivo de criar vínculo, recorrência e referenciamento.

Dentro desse contexto, alguns temas que vale a pena prestar atenção:

Big Data & Inteligência Artificial

Palestra com o estrategista Neil Patel

Muito se falou de Big Data e Ciência de Dados, principalmente com a premissa de que ela é o “estado da arte” da tomada de decisão em Marketing hoje. Em poucas palavras, ter acesso a um volume massivo de dados, ter recursos para interpretá-los e gerar inteligência em cima disso é um diferencial atualmente. Pode ser que sim, mas observe que cada instância dessa exige investimento, infraestrutura e pessoal especializado. Logo, enquanto esse conceito se desenvolve, quem pode realmente bancá-lo de maneira efetiva são empresas grandes.

Uma alternativa são novos apps que aparecem no mercado e oferecem “soluções de bolso” para análise de dados, ainda que eles não sejam tão “Big”. Mesmo assim você precisará de alguém para interpretar os dados e ajudá-lo a tomar decisões. No entanto, é importante ter atenção, porque quanto mais barato e generalista um aplicativo é, menos ele atende de maneira específica o objetivo da sua empresa. Para utilizar dados de maneira efetiva, é necessário que você tenha uma visão clara de seu modelo de negócio e da sua operação.

Branded Experience

Esse já é um assunto mais viável. As marcas aqui tem literalmente milhões para realizar ativações de suas ofertas durante o SXSW e não poupam nem um centavo. Há pavilhões inteiros oferecendo experiências lúdicas, experimentos tecnológicos, comida e bebida grátis, entre outros. É claro que isso é a escala do evento e a escala dos EUA. Entretanto, o importante é prestar atenção no conceito. Há uma alinhamento global de experiência do consumidor que aponta para essas vivências com a marca, essa tangibilização in loco do valor da marca. E isso pode ser feito numa escala adequada à sua empresa.

Como? Em eventos temáticos do seu setor, em shows, apoiando / patrocinando eventos culturais que tenham relevância pública, promovendo “Portas Abertas”. O importante aqui é pensar uma experiência que impressione e deixe uma marca do que sua empresa pode transformar na vida das pessoas. Isso funciona muito aqui e também no Brasil.

Empatia

Urban Outfitter – compre online e busque na loja

Esse é um tema que nunca vai sair de moda, porque literalmente envolve entrar na perspectiva de seus clientes, entender como eles se sentem, quais são seus medos, perspectivas, desejos. Numa das palestras mais relevantes do South By, Martha Cotton, da Fjord, não só conceitua a empatia e seu valor na sociedade capitalista, como também a posiciona de maneira efetiva: Empatia não pode estar embalada como produto. Marcas que vendem empatia não vendem empatia.

É mais honesto e efetivo que a empatia seja um plataforma onde sua marca opera, onde ela está imersa. De dentro de um ambiente de empatia a sua marca oferece produtos relevantes, autênticos, que transformam a vida das pessoas e criam vínculos. Trabalhar com empatia tem custo zero e só gera benefícios.

O valor da Cultura

Shows, grafite, apresentações por todos os lados

Por fim, um conceito que permeia todo o festival: cultura. No Brasil dos últimos tempos habituou-se a se tratar cultura como um item secundário, um acessório que mais custa do que gera retorno. Aqui na América do Norte ele é visto de maneira diametralmente oposta. Cultura aqui está no branding, nos eventos, nos produtos, nos serviços. Aqui a arte é vista como “ponta de lança” do processo capitalista e a Cultura [com C maiúsculo] como grande ferramenta estratégica para alavancar a economia e a formação da opinião pública.

Isso se reverte em iniciativas tanto públicas quanto privadas, em esforços de integração da cultura com a tecnologia, com o marketing e por aí vai. Isso também é algo que pode ser assimilado de maneira bem sucedida por marcas de pequeno e médio porte no Brasil [as grandes e as multinacionais já o fazem!]. O Brasil é um país repleto de cultura, riquíssima, contagiante. Ainda temos muito para aprender ligando esses pontos.

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